quarta-feira, 13 de julho de 2011

Full Carbon - Parte 01


Depois de alguns pedais durante este ano, comecei a sentir que minha TREKzinha, apesar de companheira fiel, já não estava respondendo da forma como eu desejava. Ela foi minha primeira bike de estrada e assumo que judiei da coitada. Durante muito tempo a troca de marchas não era intuitiva e cruzei muita corrente e até recentemente ainda não fazia a pedalada da forma correta... Certeza que sobrecarreguei demais o grupo original da bike com minha inexperiência! Fora os tombos idiotas que deixaram diversas marcas no quadro. Além disso, a partir do momento em que aprendemos mais sobre o ciclismo e evoluímos (ou nem tanto) no esporte, queremos também melhorar nossa magrela. É aí que aquelas soldas de alumínio do quadro começam a te chamar a atenção, e não digo de uma forma positiva! Depois você começa a comparar seu grupo misto Tiagra/Sora de 2007 com os belos grupos novos e percebe que aquela alavanquinha na lateral do manete Sora não é nada legal... Pra finalizar, seu mecânico começa a dizer que vc precisa trocar a corrente, o cassete, o câmbio dianteiro, a caixa de direção... Bom, troquei a caixa de direção e depois a corrente, mas as diversas falhas nas trocas de marcha (uma que quase causou uma queda em minha última viagem) e a necessidade de regular o câmbio a cada pedal me fizeram começar a namorar diversos modelos pela internet.
Bom, minha primeira dificuldade foi encontrar bikes femininas de fato bonitas e não aquelas rosas ou roxas cheias de florzinhas. Aliás, aproveito o momento pra fazer uma crítica: a mulherada que faz esporte, principalmente o ciclismo, não quer saber de coisas rosas e cheias de flores! Os lojistas dizem que as peças femininas demoram demais para serem vendidas, mas eu já passei por diversas situações em que queria e precisava realizar uma compra, porém não encontrava uma alternativa às camisas e bermudas rosas. Dessa forma não compro mesmo! Mas coloca uma versão feminina de um uniforme do ProTour na vitrine pra ver se não abro a carteira na hora! Tá na hora de conhecer o público feminino do ciclismo e ser mais assertivo!
Crítica feita, vamos voltar à busca. Como qualquer ciclista, minha intenção ao trocar de bike era pegar uma full carbon! E daí que eu nem pedalo tudo isso? Queria uma full carbon!!! Mas o grupo não precisava ser tão fodástico, um 105 Shimano ou equivalente já estaria de bom tamanho! Dentre as bicicletas que me chamaram a atenção, segue o top 4! Caso queiram mais detalhes sobre o modelo, basta clicar na legenda das fotos:


Entre outras possibilidades excluí a Trek pois sabia que os modelos em carbono seriam caros demais. Também excluí a Fuji e a Scott, pois seus modelos 2011 com grupo 105 ou Apex tinham grafismos que não me agradaram. E sim, isso faz parte da bike e eu levo em consideração! =P As pinarellos eu nem olhei direito, primeiro porque não costumo gostar dos quadros e muito menos dos seat stays “retorcidos” da Pinarello. Sei que tem gente que vai achar que o que eu disse agora é praticamente uma heresia, mas gosto é gosto, né?! Além disso, ao olhar rapidamente o site estrangeiro, não encontrei nenhuma menção às bikes com geometria feminina. Então desencanei da marca.
Bom, eu me propus a gastar, no máximo, 6.000,00 reais e, ao entrar em contato com as bike shops de São Paulo percebi que estabeleci um teto muito inferior ao preço real das bikes aqui no Brasil. Nem pagando a vista eu conseguiria chegar próximo a este preço. Santa ignorância Batman! Foi então que, numa das minhas à bicicletaria do Sr. Puertollano fui informada pelo próprio de que ele poderia montar uma full carbon bem próxima do preço que eu desejava. Talvez subisse pra uns 6.500,00 reais, mas ainda era uma melhor opção do que os mais de 8.000,00 reais pedidos nos modelos que eu pesquisei.
Em breve conversa, o Seu Eduardo colocou em minhas mãos o quadro da Vicini Corsa SL II e me prometeu dar uma olhada nos tamanhos disponíveis no fornecedor. Curti muito o desenho do quadro, com o top tube curvo, mas detestei o grafismo. Porém, dentro do que eu tinha pesquisado, não havia uma proposta melhor. Se quisesse uma full carbon pelo preço que havia estabelecido anteriormente, teria de ser aquela.
Como não estava completamente satisfeita, comecei a considerar as opções de quadro em alumínio com garfo e stays em carbono, mas dentro das opções que encontrei, nenhuma era comercializada no Brasil. Quando estava mais confusa sobre o que fazer a seguir e ansiosa por notícias do Sr Eduardo, encontrei uma oportunidade que não dava pra perder... Mas o final dessa história vai ficar para daqui um mês, mais ou menos, quando eu receber a bike em casa, na caixa do fabricante e por um preço inferior ao que tinha estabelecido como teto!

Enquanto ela não chega, vou me despedindo da TREKzinha... Mas ela só perderá o posto de bike de treino, pois continuará sendo minha touring bike... Por enquanto! ^^
See you soon!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Ciclotour São Paulo – Estiva/MG Parte 02

Segundo dia: Joanópolis - Estiva/MG

Restinho de neblina durante a manhã

Acordamos por volta das 6h00 da manhã, pois nossa intenção era chegar ao sítio do Claudião por volta do horário do almoço. Porém, ao colocarmos nossa carinha pra fora do quarto vimos uma neblina densa tomando conta da paisagem. Não gostamos muito da vista, pois a neblina significa perda de visibilidade e essa condição é perigosa demais para pedalar, pois ficamos sem ver e sem sermos vistos.

Resolvemos levantar e nos dirigimos ao café-da-manhã. Apesar de termos solicitado que o café fosse servido as 7h00 para podermos sair o quanto antes, só fomos iniciar nossa comilança depois das 8h00 da manhã. 

Daí, até conseguir acertar os pagamentos e sair da pousada já eram 9h30 da manhã. Pelo menos o nevoeiro já estava desaparecendo!
Meninos prontos pra mais um dia de pedal!
Pedalamos até a entrada de Joanópolis, onde pegamos a Estrada entre Serras e Águas, que nos levaria até Extrema, já em minas Gerais. A vista da estrada é linda durante todo o percurso! Passamos por propriedades rurais, hotéis fazenda e até trechos com a Mata Atlântica preservada. A estrada começa com uma subida longa e bem difícil. Apesar do frio da manhã, encostamos e já tiramos todas as camadas de roupa! Continuamos subindo e, como estava preocupada com o longo percurso (e com minha relação nada ciclotur) subi calmamente apreciando a vista. Como o asfalto também não era dos melhores, tive que me conter nas descidas, perdendo o embalo pra encarar o tobogã da estrada.


Fábio e eu na Estrada Entre Serras e Águas
A última subida da estrada foi a mais dolorosa de todas. Além de longa, tinha uma bela inclinação. Sem poder girar, fui obrigada a pedalar de pé em vários momentos e cheguei ao final da subida bufando, mas inteira! Mas que eu curti a subidinha, curti! E a sensação de ter vencido ela com a bike carregada foi ainda melhor!
Lógico que depois de uma bela subida, sempre vem uma bela descida! Desci com empolgação e eu e o Fábio encontramos os meninos num ponto de ônibus por volta das 11hs, onde paramos para comer um pouco, já que a estrada tinha consumido bastante nossas energias.


TREKzinha aproveitando a bela vista.
Continuamos a viagem e paramos em um posto para lanchar. Como a namorada do Cláudio iria nos presentear com um belo almoço no sítio, resolvemos apenas comer um salgado e uma coca de garrafa e voltar a pedalar o mais rápido possível. Pra azar do Fábio, novamente ele ficou sem comer o que queria e voltou a pedalar insatisfeito e com fome. Assumo que fiquei com dó...
Ainda tínhamos uma boa quilometragem pela frente e, pelo track, vocês podem ver que a quantidade de subidas que teríamos que enfrentar era considerável! Para nosso azar o sol estava muito forte, o que fez nossa pedalada pela Fernão Dias se tornar um pouco mais difícil. 

Parada na sombra já na Fernão Dias
Longas subidas com o sol batendo forte no corpo nos fizeram consumir uma grande quantidade de água, porém, como eu e o Fábio estávamos atrás dos meninos, acabamos não parando para repor por não querer causar um desencontro ou ainda preocupá-los com nossa demora. Assim sendo, continuamos pedalando e economizando as caramanholas, até encontrar os meninos nos esperando na única sombra vista em quilômetros: uma entrada de uma propriedade.
Nesta parada comecei a ficar preocupada, pois minha caramanhola estava praticamente vazia. Quando saímos do local, ainda passamos por uma venda de beira de estrada, mas, devido a uma falha de comunicação, acabamos não parando para comprar mais água. Assim sendo, continuamos pedalando, porém com uma altimetria um pouco mais favorável (Yey!! Descidas!). 
Mesmo tendo perdido os meninos de vista, eu e o Fábio paramos em um boteco que encontramos na estrada para reabastecer nossa água e ainda aproveitamos para tomar uma coca e reabastecer um pouco das energias. A partir deste ponto continuamos por um trecho plano da Fernão Dias até chegarmos a Estiva. Claro que, como bons cicloturistas, tivemos que parar para tirar fotos!
Mais um desafio superado! São Paulo - Estiva!
A partir daí foi só relaxar e curtir! Chegamos a um trevo onde nossos colegas nos esperavam (a um bom tempo, diga-se de passagem). Porém, ainda teríamos de encarar mais 8km de estrada de terra. 


Esse era o momento de testar minha Road! Me empolguei no primeiro trechinho e, só pra aprender a não confiar demais, acabei derrapando. Pra minha sorte consegui segurar a bicicleta, mas a partir dali a relação com a estradinha de terra mudou. Os meninos sumiram na frente com suas 29ers enquanto o Fábio me acompanhava. E ainda bem que ele estava lá do meu lado! Meu câmbio não colaborou durante toda a viagem e, no meio de uma subida quando fui trocar a marcha, minha corrente caiu e ficou presa entre o quadro e a coroa pequena do meu pedivela. Segundo o Fábio, tive meu primeiro “chain suck”... Sinceramente, preferia não ter sido apresentada ao danado, mas ok! Vale de experiência! 

Estradinha de terra que dá acesso ao sítio...
Como eu disse, ainda bem que ele estava lá, porque depois de algumas tentativas não consegui mover nem um milímetro da corrente. Mãos cheias de graxa e algum tempinho depois, continuamos nosso caminho. Não demorou até encontrarmos os meninos nos esperando na entrada do sítio. Não preciso dizer que fiquei contentíssima! Apesar de já ter feito viagens mais longas antes, sempre tive alguns dias de descanso entre os dias de pedal. Neste caso, pedalamos por dois dias seguidos e, apesar de um pouco cansativo e dolorido, foi extremamente prazeroso! (Sim, um tanto controverso, mas é verdade!).
Chegamos no sítio por volta das 16h30 e, para nosso deleite, a Valquiria (companheira do Cláudio) havia deixado um almoço/janta delicioso à nossa espera. Tomamos banho voando e fomos pra mesa! Arroz, feijão, carne de panela com vegetais, saladinha... Tudo perfeito!
Nem preciso dizer que capotei super cedo neste dia, apesar de feliz, meu corpo pediu descanso...


Track da viagem:


No dia seguinte, Cláudio e Adil ainda acordaram cedo pra fazer uma trilha de MTB. Haja disposição! E, quando voltaram, nos acordaram ao som de Roberto Carlos (em vinil!!).
Aproveitar o sábado em Estiva foi fantástico. O clima de cidade rural, as pessoas simpáticas e a tranqüilidade das vaquinhas pastando era tudo o que eu precisava pra esquecer um pouco de São Paulo.
Uma pena o Adil ter retornado a São Paulo no sábado de manhã, mas com certeza outras viagens virão!
De resto só posso agradecer a todos pela companhia durante toda a viagem, em cima da bike e fora dela! Com certeza serão momentos que nunca esquecerei. Não posso deixar de agradecer especialmente ao Fábio, namorado, escudeiro e Personal Cycling Consultant! Obrigada por estar sempre ao meu lado (literalmente!)!


Mas agora vem a questão: quando é a próxima?!



Nota Técnica pros amiguinhos que não pedalam:
- Relação: é a relação de marchas da bicileta, mudando algumas peças podemos deixar ela com marchas mais pesadas ou mais leves. A minha bike é típica de estrada, então possui um relação de marchas mais pesada, pra desenvolver velocidade. Bicicleta de ciclotur ou Montain Bikes tem relação mais leve, pra auxiliar nas subidas.
- Caramanhola: squeezy, garrafinha d’água, etc...
- 29er: tipo de montain bike. Pra quem se interessar, dá um olhadinha no blog do Adil, mestre no assunto!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Ciclotour São Paulo – Estiva/MG Parte 01

Primeiro Dia: São Paulo – Joanópolis


Cláudio, Adil, Fabio e Maya
       Conforme combinado, nos encontramos por volta das 7h00 da manhã no metrô Tucuruvi. Após uma pequena pausa para apresentações, afinal de contas eu só havia conversado com o Adil e o Cláudio por e-mail, demos início ao tão esperado ciclotur!
Saímos do Tucuruvi um pouco antes das 7h30 e, para nossa diversão, encontramos a feira livre, que acontece às quintas-feiras, já montada. Foi engraçado passar pelo meio da feira com as bikes carregadas. Segundo o Fábio, na primeira vez que ele e o Cláudio fizeram esse percurso foram ovacionados pelos feirantes, mas não foi o caso desta vez. Ouvimos alguns poucos comentários e rapidamente já estávamos na Sezefredo. Passamos por bairros e locais que eu não conhecia, apesar de morar na Zona Norte e logo começamos a subir, mas descansados e empolgados como estávamos as subidas foram muito bem-vindas e tornaram-se desafios muito divertidos. Me surpreendi com minha disposição e tive certeza de que os dois dias de pedal me fariam muito bem!

Depois de subirmos um tanto , a fome começou a bater. Apesar de o Cláudio ter sugerido uma parada mais a frente no percurso, após algumas subidas mais longas, encostamos numa estrada de terra e sacamos os lanches! De sanduíches e frutas a barras de proteína, cada um se alimentou da sua forma e seguimos viagem. Cerca de meia-hora depois chegamos ao local sugerido anteriormente para nossa primeira parada. Foi impossível não parar para tirarmos algumas fotos! Neste local encontramos outro ciclista que estava fazendo um treino. Ele nos deu a dica de uma estrada de terra que cortaria alguns quilômetros do nosso caminho, mas, como eu estava com pneus muito finos (700X28), resolvemos manter nosso trajeto, afinal, ninguém conhecia as condições da estradinha e não queríamos arriscar. (Na foto: minha Road toda paramentada para o ciclotur: pneus Bontrager 700X28, bagageiro TransX, alforges e bolsa de guidão Btwin).

Vista do local que deveria ser nossa primeira parada para lanche
Deste belíssimo lugar seguimos pela Estrada Velha até Mairiporã, onde os meninos encontraram o famigerado amendoim com alho! No final das contas, com tantas coisas pra se fazer e com toda a atenção voltada para o pedal, acabei não experimentando a iguaria. Vai ter que ficar pra próxima!
Em Mairiporã, território bem conhecido, pegamos a Estrada do Rio Acima, que continuou nos proporcionando lindas vistas e diversas subidas cercadas de mata. Nosso próximo destino seria a Rodovia Dom Pedro I. Pegamos bastante vento até chegar na rodovia e ficamos um tanto apreensivos com a possibilidade de encarar muito vento contra. Com certeza o vento consumiria mais rapidamente nossas energias e deixaria o pedal menos prazeroso. Para nossa sorte, ao chegarmos na rodovia, não encontramos vento algum e pudemos prosseguir em uma maior velocidade. 

Boa ação do dia da escoteira: nossa foto!
Paramos para almoçar ao meio-dia em Bom Jesus dos Perdões. Nem preciso dizer o quanto estávamos com fome! Deixamos nossas bikes do lado de fora (sempre de forma que pudéssemos ficar de olho) e fomos fazer nossas pratos! Encontramos uma comida fresca e nenhuma fila na hora de pesar os pratos! Isso fez com que o Cláudio decidisse fazer primeiro um prato de saladas para depois caprichar no prato principal. Eu, Adil e Fábio já decidimos fazer um único prato e devorar tudo de uma vez só! Enquanto almoçávamos chegaram dois ônibus de viagem e, para azar do Cláudio, a fila tornou-se enorme! Ele, sem coragem de encarar a fila gigantesca apelou: vou comer um lanche! Nem consigo me lembrar de tudo o que ele comeu, mas uma coisa fez-se notar, o bolo de Aipim! Durante todo o pedal responsabilizamos esse tal bolo pela disposição do Cláudio! Na saída encontramos diversos escoteiros em excursão e, depois de uma abordagem bem humorada do Cláudio conseguimos uma foto do grupo antes de continuar a viagem.

Ainda continuamos na Rod. Dom Pedro I por alguns quilômetros até pegar o acesso para Piracaia (SP-036).  Apesar do trecho inicial ser plano, após algum tempo começamos a encarar mais algumas subidas. Costumo encarar bem subidas longas e de baixa inclinação, entôo meu mantra “Só no Girinho!!!” e vou que vou, mas aquele sobe e desce da estradinha começou a me cansar. Subidas curtas de grande inclinação com decidinhas idem que acabam nos empolgando e nos fazendo sair do selim... Sim, eu sei que cicloturista deve poupar as energias, pedalar sentado e constante, mas tem momentos em que isso se torna simplesmente impossível! Em tobogãs principalmente! ;P
 Apesar do cansaço e do peso, eu e o Fábio seguimos muito bem, apesar de sempre atrás dos meninos. Aliás, nesse ponto da viagem comecei a reparar na forma de pedalar de cada um. Foi interessante notar que o Adil tem uma preferência por pedalar BEM travado, fazendo força e girando pouco mesmo no plano. Em contrapartida, nosso amigo Cláudio parecia um ventilador! Assumo que fiquei com inveja da relação dele em alguns momentos!
Chegando mais próximo de nosso destino a estrada aplainou e pudemos desenvolver uma maior velocidade. Chegamos na entrada da pousada por volta das 4h30 e lá paramos para fotinhos de comemoração!

Adil na frente da entrada da pousada com as 29ers.

Mas minha aventura ainda não tinha acabado. Ainda teríamos de descer um tanto na estradinha de terra da pousada e eu faria meu primeiro teste com a Trek que, como bem disse o Cláudio, estava fora de seu ambiente natural! Pra aumentar ainda mais o desafio, o acesso pra pousada estava cheio de pedriscos e cacos que me deixaram bem apreensiva. Desclipei, sentei no top tube e desci me equilibrando. Nem preciso dizer que essa foi a parte mais tensa de toda a viagem!
Eu e Fábio chegando na pousada. Olha o tamanho do sorriso!
Chegamos na recepção da pousada e tivemos alguns incidentes com as reservas de quarto, mas tudo foi resolvido e acabou gerando histórias muito maiores e que, infelizmente, não cabem aqui! Jantamos uma pizza (a contragosto do Fábio) e antes das 21h00 já estávamos roncando em nossas camas! Ainda bem que deitamos cedo, pois iríamos precisar de energia no dia seguinte!

Segundo os tracks que fiz da viagem com o Sports Tracker, pedalamos cerca de 109km neste primeiro dia. Apesar das subidas e do peso nas bikes, fiquei feliz com as médias de viagem: 17.82 km/h no trecho de São Paulo a Bom Jesus dos perdões (71.83km) e 16.66km/h no trecho de Bom Jesus dos Perdões até a pousada em Joanópolis (37.19km).


Os tracks também podem ser vistos no meu perfil do Sports Traker.

São Paulo - Bom Jesus dos Perdões

Bom Jesus dos Perdões - Joanópolis


Nota técnica para os amiguinhos que não conhecem os termos do ciclismo:
- sair do selim: pedalar em pé, normalmente fazendo força pra vencer uma subida.
- desclipar: usamos sapatilhas especiais que “clipam” nos pedais da bike, deixando o pé preso e permitindo que nossas pedaladas sejam mais efetivas. Porém, no caso de precisar apoiar o pé no chão com pressa, podemos não conseguir “desclipar” o pé do pedal e cair. Por isso, em situações de maior risco de queda, tiramos o pé do pedal pra nos prevenir em caso de perdermos o equilíbrio.
- Sobre minha bike estar fora do ambiente: Tenho uma bicicleta de estrada com pneus bem finos para asfalto. Troquei os pneus por outros mais grossos pra viagem, mas não se comparam aos pneus usados nas bikes dos meninos. Portanto terra realmente não é o ambiente da Trek!
- Top tube: cano superior do quadro da bike.

Coming soon: Ciclotur São Paulo – Estiva/MG parte 2!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Ciclotour São Paulo – Estiva/MG (Preparativos 2.0)

Bom... Para esquentar os tambores, segue a altimetria e as distâncias que percorreremos em cada dia de nossa cicloviagem à Estiva/MG:

Dia 22 São Paulo – Joanópolis
Neste dia pretendemos percorrer 110 km. Apesar de já ter feito distâncias maiores, confesso que me bateu um friozinho na barriga na hora em que olhei o gráfico de altimetria. Não sou expert no assunto, mas uma coisa pareceu clara: Vai doer!! Segundo o gráfico do Google Earth teremos três subidas significativas, com grande ganho de elevação e duas menores, sendo uma delas na chegada a Joanópolis. Pena que o peso na bike não vai me deixar aproveitar as decidas da forma que gosto, mas vamos que vamos!



Dia 23 Joanópolis – Estiva
No segundo dia de viagem encararemos a Estrada entre Serras e Águas. Pelo gráfico temos algumas subidinha doídas,  mas aparentemente após transpô-las a chegada a Estiva deve ser relativamente tranquila. 
O Engraçado é que, ao comparar este gráfico com o feito pelo FabioTux  consegui altimetrias completamente diferentes, apesar de usarmos o mesmo programa. Agora só tem um jeito de descobrir qual é o mais correto... Subindo a Serra!




Dia 24 Estiva – São Paulo
Na volta faremos um percurso diferente e mais curto. Serão 163 km pela Rodovia Fernão Dias e, como vocês podem ver pelo gráfico, será um sobe-e-desce considerável. Nossos planos são de sair bem cedo de Estiva pra chegar em São Paulo antes do anoitecer! Agora basta ver se minhas perninhas aguentarão a brincadeira e se a previsão do tempo (que é de chuva) estará errada!



E é isso, crianças! Torçam pela pangaré aqui e por todos nessa viagem para que não tenhamos imprevistos e para que voltemos a São Paulo do jeito que planejamos: cansados, felizes e prontos pra encarar de novo a rotina da cidade!

Bjokas e até a volta!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Ciclotour São Paulo – Estiva/MG (Preparativos)

Nada como uma bela cicloviagem para acabar com o estresse rotineiro dia e recuperar as energias!
Há alguns meses, o Fábio (meu namorado) está cozinhando a idéia de ir para Estiva/MG de bike juntamente com seu amigo (e fornecedor de bikes!) Claudio. Pois é... A pangaré aqui foi convidada para fazer a viagem! Com a viagem marcada para o feriado de junho (dia 23) começamos a trocar e-mails para acertar os detalhes. Após 30 e-mails chegamos a um rascunho do que será a viagem e, obviamente, não me aguentei de ansiedade e precisei escrever!
Contaremos também com a presença de mais um colega ciclista, o Adil, que ainda não tive o prazer de conhecer, mas como já me disseram uma vez, não existe melhor forma de conhecer novas pessoas se não fazendo aquilo que tanto amamos! E viva o Ciclotour! Ainda teríamos a companhia de mais um colega, o João, que teve de desistir da viagem devido a problemas no joelho. Então, seremos apenas 4 nesta viagem!
Sairemos no dia 23 do Metrô Tucuruvi por volta das 7h da manhã, apesar do horário de velho madrugador, o local de encontro foi um grande alívio pra mim, pois moro a 10 minutos da estação e poderei dormir um pouco mais do que o restante do grupo! De lá pegaremos a Avenida Coronel Sezefredo Fagundes  a fim de encarar nossa primeira subida até Mairiporã. Após isso, seguiremos pela Estrada do Rio Acima até Nazaré Paulista. Ainda teremos de transpor, na altura de Bom Jesus dos Perdões, a Rodovia Dom Pedro  passando posteriormente por Piracaia e finalmente Joanópolis, nosso ponto de pernoite, cerveja (afinal cicloturista também é gente) e descanso!
Já acertamos nossa estadia na Pousada San Lourenço por um precinho bacana com direito a café da manhã! De lá sairemos cedo e de cara enfrentaremos o trecho mais pesado da viagem para chegar à Fernão Dias. Trata-se da Estrada entre Serras e Águas, cujo nome já dá uma pista do que teremos de enfrentar! Após sofrer um pouco nas subidas, cruzaremos as cidades de Itapeva, Camanducaia, Cambuí para só então chegar à Estiva!
Na volta nosso grupo se dividirá. O Adil pensa em retornar de ônibus ainda no sábado, o Claudio, nosso anfitrião em Estiva, retornará no domingo de carro juntamente com sua família. Agora eu e o Fábio... Bem... Devo dizer que estamos na “fome” de pedal e nossa idéia é fazer a volta de bike direto percorrendo os cerca de 165Km até São Paulo. Resta saber se o pequeno ser aqui irá aguentar!

Em breve postarei o mapa com a rota da viagem e a altimetria do percurso, apesar de achar que certas dificuldades não deveriam estar tão claras na mente da pangaré aqui!

Coragem! E bora pedalar! Só no girinho, é claro!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

“Relaxa! Tô aqui pra pedalar!"


Muitas vezes eu me senti mal por fazer as pessoas me esperaram durante os pedais... Como iniciante, era normal quebrar nas subidas e pedalar em ritmo absurdamente mais lento do que o grupo, mas sempre tinham almas caridosas me acompanhando.  Ainda sou iniciante, ainda pedalo só no girinho, mas sei que já estou melhorando e essas almas caridosas já não precisam esperar tanto!
Sempre me sentia culpada por fazer essas pessoas se distanciarem do pelote principal, ou de perceber que elas não estavam realizando o treino que deveriam, mas mesmo assim, todos se mostravam felizes em me acompanhar e me incentivar. Quando eu expressava minha preocupação em estar atrapalhando o treino deles recebia sempre um sorriso e um “Relaxa! To aqui pra pedalar! Não importa a velocidade!” ou algo do gênero...
Esses dias entendi o que eles tentavam me dizer. Marquei de pedalar com um casal de amigos na Caminhos do Mar. A intenção do pedal era unicamente acompanhar a Sil, que está dando suas primeiras pedaladas mais longas. Chegamos cedo, arrumamos tudo e saímos girando os três conversando, rindo e aproveitando a bela vista do Reservatório do Rio Pequeno da Represa Billings.
Ao completarmos a primeira volta, o casal me diz:
- Fica tranquila Maya, pode ir fazer o seu treino!
Minha resposta não poderia ser outra...
- Relaxem! Estou aqui pra pedalar com vocês!
E foi aí que entendi o prazer de ver alguém iniciando no ciclismo. E mais do que isso, percebi o quão gratificante é ajudar essa pessoas a superar seus limites.
A Sil sempre parava após sua primeira volta na Caminhos, o que significam 16km. Dessa vez, ela resolveu tentar a segunda volta. Seguramos o ritmo, aumentamos o nível de conversa e fomos “Só no girinho” conquistar essa marca junto com ela. Nos últimos 6 ou 4  km a Sil ficou séria, falou que estava cansada e com fome, mas não parou de pedalar e vi ali uma reprodução do que eu sinto cada vez que desafio o meu corpo a ir mais longe. Lado a lado ganhamos os últimos metros até chegarmos no pesqueiro, nosso ponto de início! Lá a Sil já chegou pedindo a comida e eu e o Élio resolvemos dar mais uma voltinha pra forçar um pouco.
Fizemos essa terceira volta na maior cede de pedal, forcei como há muito tempo não fazia e me senti ótima ao chegarmos novamente ao pesqueiro:
- Vamos de novo?
Mais uma volta cheia de vontade até desabarmos de cansaço junto da Sil, que já estava recuperada e sorrindo.
Mesmo se não tivesse feito as duas voltas finais eu já estaria satisfeita. Elas foram apenas a cerejinha do bolo de um pedal delicioso entre amigos.
O melhor de tudo foi ficar sabendo da reação da Sil após o treino. Depois de jurar não pedalar novamente, bateu aquela raivinha que todos nós sentimos quando achamos que podemos fazer melhor e a danada já estava pensando no próximo pedal!

É isso aí! E viva os iniciantes!!!


Obs: não posso deixar de agradecer a todos que sempre me esperaram e que ainda me esperam nos pedais! Obrigada por tudo! Minha evolução com certeza tem um dedinho (se não vários deles) de vocês!

domingo, 28 de novembro de 2010

8º Desafio Serra de Campos

Há exatamente uma semana atrás ocorreu o 8º Desafio Serra de Campos, ou Copa VO2, como muitos preferem chamar. É óbvio que a pangaré que vos escreve se inscreveu e, mesmo sem o devido treino, compareceu na largada com apenas uma meta na cabeça. Terminar a prova em 3h00... Sim, sim... É um tempo alto! Mas não dava pra ser mais ambiciosa do que isso considerando meu retrospecto de não-treino de alguns meses.
Lógico que a prova começa muito antes! No dia anterior tem a viagem pra Campos do Jordão, a retirada do Kit (que me rendeu uma bela frustração com a organização da prova) e o encontro com os amiguinhos à noite para jantar, falar babozeiras e lógico, calibrar o tanque com um pouquinho de cevada! Só a descrição desses momentos ímpares já dariam um belo post, mas se tem algo que traduz o título desse blog, foi meu “rendimento e performance” no dia da prova...
Hospedados em Campos, marcamos de nos encontrarmos e descer para Santo Antônio do Pinhal pela estrada nova. Lógico que não saímos no horário pretendido, mas descer é sempre fácil! Chegamos com antecedência no local da largada e já começamos a encontrar amigos do Pedal.com antes mesmo de nos alinharmos. Trocas de cumprimentos, emprestação de protetor solar e toda a ansiedade fizeram com que o tempo passasse rapidamente e, quando menos vi, a elite já estava largando!
Subi na bike, acenei pros companheiros de pedal e passei a largada... A partir daí, só concentração! Lembrava perfeitamente do percurso até o final da Serra devido à minha participação na etapa de maio, porém, dessa vez, encararia a tal ABV que na minha cabeça era apenas mais uma subida após a descida da serra... Bom, o negócio era pedalar e torcer pra chegar inteira no final da prova.
A primeira parte da prova consiste de um leve sobe e desce, com muito mais descidas do que subidas. Nessa parte percebi que não estava tão mal quanto imaginei, mantive uma boa média e deixei muita gente pra trás. Mas, justamente por conhecer o percurso, eu sabia que aquele era meu momento de ganhar tempo, já que não sou boa de escalada... E fui com isso em mente! Acelerei, aproveitei o conhecimento das descidas e deixei a bike ganhar velocidade.
Nesse momento eu já estava me sentindo ótima! Aquecida, com o ânimo lá em cima percebi que já estava chegando o trecho de serra. Nessa hora pensei: quero, pelo menos, manter o mesmo tempo de maio... Reduzi a marcha e comecei minha estratégia de subida: Só no Girinho!!! Já que não sou forte, compenso aumentando um pouco o giro do pedal e foi assim a serra toda. Lógico que fui passada por muitos dos que tinha deixado pra trás na primeira parte, mas também tive o prazer de deixar um ou outro bufando atrás de mim quando a inclinação piorava um pouquinho.
Final do trecho de serra: percebi que, caso a prova terminasse no mesmo local de maio (no palácio), eu teria diminuído meu tempo. Aí meu ânimo foi às alturas! Não sabia o que viria pela frente, mas apesar de cansada, me sentia bem pra continuar! Foi então que começou o trecho misto da ABV... Pra cada descidinha de descanso, uma subida de inclinação considerável aguardava logo à frente. Apesar do ânimo, minhas pernas já não respondiam tão bem e comecei a reduzir ainda mais as marchas nas subidas. Me vanglorio de dizer que, em momento algum desci da bike ou fiz o famoso zigue-e-zague. Subi reto, sofrendo, “queimando-perninha”, mas subi! No mínimo terminaria a prova com um pouquinho de dignidade!! Eis que chega a placa: 5K para a chegada! Um staff me deu aquele sorriso e gritou: relaxa que agora é só descida!!! Não deu outra! Soltei a bike e pude recuperar um pouco do fôlego que a ABV havia me tirado!
Ao chegar na cidade, me sentia outra! As forças voltaram e apareceu a vontade de correr e aproveitar o trecho de 3K plano pra descontar um ou outro minutinho. 25km/h... 30km/h... 35km/h... Fui passando pessoas cansadas, pessoas não tão cansadas e terminei com direito a sprint passando pela linha de chegada a mais de 40km/h. Ouvi pessoas gritando, vários incentivos e não segurei: PUTA QUE O PARIU!! CONSEGUI!!!
Fechei a prova com 2:54:58, em quinta colocação numa categoria de apenas 9 competidoras, 1:15:17 de montanha (dois minutos a menos do que na etapa de maio). Se acho meu tempo bom? Não, não acho... Mas fiquei feliz com ele mesmo assim! Pra quem estava sem treinar devidamente, terminar abaixo de 3h com direito a sprint e com uma sensação de bem-estar absurda foi uma vitória!
Agora é tentar manter a promessa de treinar e baixar o tempo de montanha para 1h... Vamos ver se consigo me disciplinar!